segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A Macaca Peculiar - parte I

Se eu vos perguntasse qual a característica que mais nos distingue dos outros animais, de certeza que as respostas iriam andar à volta do raciocínio, consciência, inteligência, cultura, pensamento, emoções, sentimentos...

Mas então, se eu ao longo de todos estes artigos, tenho procurado desmistificar o comportamento humano, por que carga de água haveria de perguntar algo com respostas aparentemente tão óbvias e consensuais? Pela simples razão de aquilo que tomamos como certo ser o resultado de séculos de pensamento antropocêntrico - ah, somos maravilhosos seres pensantes e, por isso, superiores a todas as outras manifestações de vida - e de crenças teocêntricas - oh, somos a criação pródiga de uma entidade superior, feitos à sua semelhança e, por isso, superiores a todas as outras manifestações de vida.

No entanto, somos animais. Sujeitos como eles às mesmas forças evolutivas de selecção natural, o que desmente a perspectiva antropocêntrica, e essa evolução baseia-se nos paradigmas delineados por Darwin e na sua sustentação pela Biologia Molecular, Genética, Paleontologia..., ou seja, séculos de constantes teorias validadas experimentalmente e em constante evolução, contrariando sempre e cada vez mais, as supostas verdades absolutas do pensamento religioso, o que desmonta a perspectiva teocêntrica.

Se as capacidades reflexivas e meta-reflexivas são realmente um grande factor de distinção do Homo sapiens relativamente aos outros animais, aquilo que realmente mais nos diferencia é a reprodução, nomeadamente a enorme distinção de estratégias entre os sexos e as peculiaridades morfológicas, fisiológicas e comportamentais da fêmea do H. sapiens, comummente designada mulher.

Comecemos pelas características fisiológicas, que são as mais simples de compreender: o homem consegue produzir milhões de espermatozóides por dia. Ao todo produz biliões desde a puberdade até à morte. Mesmo em idades muito avançadas a produção, apesar de diminuir seriamente, nunca pára, pelo que não existe uma verdadeira andropausa. Já a mulher produz um limitadíssimo número de ovócitos desde a puberdade até à menopausa, que acontece por volta dos 40-50 anos. E mais: ao contrário do homem, que tem uma produção constante, a mulher apenas produz uma célula reprodutiva a cada 28 dias em média. Daqui se depreende que o homem investe na quantidade - o que é muito comum em muitas espécies - e a mulher na qualidade - o que também não deixa de ser usual em muitos animais. O que não é muito normal é esta enorme disparidade de estratégias reprodutivas se encontrar na mesma espécie, pois a lógica aponta para que, se é necessária eficiência reprodutiva, o macho e a fêmea têm que concertar estratégias ao longo da sua evolução.

Dadas as diferenças, seria de esperar que o homem fosse um grande fecundador, um animal programado para inseminar um grande número de mulheres num curto espaço de tempo. Só que isto, apesar de ser possível, na realidade não acontece. E não é por causa da ética, nem da moral ou das ideias religiosas. É porque a mulher domina completamente as estratégias reprodutivas da sua espécie.

7 comentários:

Sofia Rei disse...

Posso citar este artigo?
Com a devida referência à sua proveniência claro...

Slinkman disse...

Sim, pode ser citado, com referência ao nome do autor. Para que efeito?

Cumprimentos,

Rui Valdiviesso

Slinkman disse...

Ah, com referência ao nome do autor e ao link original!

Sofia Rei disse...

Sim, claro. Apenas a título de curiosidade numa pesquisa de Biologia sobre o Darwinismo. Estou no 11.º ano em Ciências e Tecnologias. Espero que não haja problema. Muito interssantes, os temas, a propósito.

Slinkman disse...

Obrigado pelo interesse. Esta série de artigos tem mais 3 ou 4 partes por publicar, o que espero fazer diariamente. Por isso vai estando atenta.

Bom trabalho!

Sofia Rei disse...

Obrigada pelo material.
Se, porventura, me surgir alguma dúvida, posso esclarecê-la aqui?

Cumprimentos.

Slinkman disse...

Claro que sim. É para isso que serve o blog!